quinta-feira, 23 de maio de 2019

UM GRANDE MAL SILENCIOSO: A PREGUIÇA

Filhos preguiçosos e sem atitude
   Você conhece uma criança preguiçosa, um jovem preguiçoso, um adulto preguiçoso? Você sabe de alguém que não quer tomar atitude, quer tudo na mão, acomodou-se, de um adulto que ainda não cortou o cordão umbilical? Pois, eu conheço e parece-me que isso é um problema social!
      A tradição popular diz que: “A cabeça vazia é a oficina do diabo” e a sabedoria bíblica nos exorta dizendo: “As mãos preguiçosas empobrecem o homem, porém as mãos diligentes lhe trazem riqueza” (Prov.10,4)
“Observe a formiga, preguiçoso, observe os hábitos dela, e aprenda. Ela não tem chefe, nem guia, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento.” (Prov.6,6-8)

“Aos preguiçosos é atirado esterco, só se fala deles com desprezo. O preguiçoso é semelhante a um monte de esterco, todo aquele que o tocar sacudirá a mão”. (Ecl.22,1-2)
“Passei pelo campo de um preguiçoso, e pela vinha de um homem sem juízo: estava tudo cheio de urtigas, o terreno coberto de espinhos e o muro em ruinas. Vendo isso, comecei a refletir e aprendi esta lição: Durma um pouco, cochile mais um pouco, depois cruze os braços para descansar ainda um pouco, e a miséria do vagabundo cairá sobre você, e a indigência o atacará como homem armado”. (Prov.24,30-34)

“Quando ainda estávamos com vocês, nós ordenamos isto: Se alguém não quiser trabalhar, também não coma”. (2Tes. 3,10)
      Aos meus 53 anos de vida,observo que a preguiça de muitos jovens hoje é algo preocupante. Vejo, cada vez com mais nitidez, que é uma geração de pessoas que não tem atitude, quer tudo na mão, quer tudo imediato, com pouco esforço e não consegue lavar nem o prato e o copo que usa. Os pais vivem como eternas babás dos filhos, chamando-os de “princesa” e “príncipe”. Parece-me que estamos produzindo uma geração de preguiçosos! Um filho preguiçoso é resultado de pai e mãe que não têm atitude. Se você é preguiçoso e sem atitude, provavelmente vai ter filhos preguiçosos e sem atitude, pois eles adquirem seus hábitos. Se a sua casa está sempre suja e desarrumada, os seus filhos vão aceitar isso como normal e a deles também será. Se você está constantemente pedindo ajuda aos outros em vez de aprender a trabalhar para conseguir o que precisa, seus filhos vão fazer o mesmo. Coloque na vida dos seus filhos, desde a sua infância, as tarefas, uma vez queninguém aprende coisas básicas da vida aos 20 anos. Ajudar em casa é uma das melhores formas de ensinar as crianças e adolescentes o valor do trabalho, eles devem ser capazes de arrumar a sua própria cama, lavar pratos, dobrar suas roupas, arrumar a casa e muito mais, tarefas básicas. Se os pais fazem tudo para eles, chamam-nos de “princesinha” e “príncipe”, entãoajudam a gerar pessoas preguiçosas e sem atitude. Se você não ensinar a seu filho a trabalhar, se você não for exigente com ele, então haverá problemas. Casamento, por exemplo, não irá para frente, já que o homem não faz nada e a mulher também não. Os filhos não podem ser “rainhas” e “reis” que recebem tudo na mão sem esforço. Amor exagerado traz só problemas para os pais e para os filhos. Sejam exigentes com as suas crianças, deem trabalho para elas, visto que o trabalho edifica efaz-nos mais gente. Não tenha medo de dizer ao seu filho “não” quando pede alguma coisa, porque se você lhe entregar continuamente tudo o que desejar, criará um monstro. Ensina-lhe a lutar pelas coisas, pois só assim irá valorizá-las. 
Jovem,se aqueles que devem exigir de você se omitem no seu dever, então você mesmo exija de si.

Pe.Paulo Kowalczyk,sac



quinta-feira, 16 de maio de 2019

EUCARISTIA: UM TESOURO A SER DESCOBERTO

A eucaristia é o grande tesouro que a igreja recebeu de Cristo. Esse é um mistério que acompanhará a vida e a ação da Igreja até o fim. Acreditar que, ainda hoje, é possível encontrar-se com o ressuscitado nas comunidades, é o grande desafio. Talvez seja por isso que muitas crianças da catequese se dispersam na Igreja, após a primeira comunhão, porque não experimentaram a força e a presença do ressuscitado na comunidade, Por isso desde a catequese precisam ser levadas a uma vida de oração simples. A eucaristia exige fé e confiança na palavra do Senhor, " O pão que eu darei é a minha carne para a salvação do mundo (...). Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no ultimo dia" (Jo 6, 51b-54) 
Para encontrar um tesouro é necessário sair de onde estamos e seguir o mapa que nos leve aquilo que buscamos. A eucaristia é um grande tesouro que para encontra-la  é preciso somente " perder tempo para Deus" esse é o grande mapa, estar com ele, ouvir a ele. Muitas vezes passamos tempos dentro dos templos rezando terços, novenas e outras orações de piedade, mas saímos de lá da mesma maneira que entramos pois não encontramos o Senhor e por isso nosso coração não foi curado.
Hoje o Senhor nos convida a rasgarmos o nosso coração diante de Deus e ser sinceros com ele, mostrar a ele nossas dores e feridas, deixar-se conhecer pelo Senhor, pois é ele que dá um significado novo para nossa história. 
Descobrindo esse grande tesouro tudo ganha um novo sentido, nossas missas deixam de ser apenas rotinas e preceitos e se tornam um grande encontro de amor com o amado.
  

quarta-feira, 15 de maio de 2019

A CARIDADE QUE ME LEVA A SANTIDADE

O Papa Francisco aprovou nesta segunda o decreto de canonização da beata brasileira que conquistou enorme respeito pela sua dedicação aos pobres

Foi aprovado pelo Papa Francisco o decreto de reconhecimento do milagre que permitirá a canonização da beata brasileira Irmã Dulce.
A aprovação foi confirmada nesta segunda-feira, 13 de maio, após uma reunião entre o Papa e o Cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

A trajetória da Santa Irmã Dulce
Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador no dia 26 de maio de 1914 e, desde a infância, começou a ajudar pessoas carentes na porta da própria casa, que chegou a ser apelidada de “Portaria de São Francisco”.

Em fevereiro de 1933, entrou na congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão, no Estado de Sergipe, adotando o nome de Irmã Dulce em homenagem à sua mãe, falecida quando ela tinha apenas 7 anos.

Retornando a Salvador em 1935, iniciou seu trabalho de ação social e caridade cristã em favor de comunidades pobres como a de Alagados, um conjunto de palafitas no bairro de Itapagipe. Em 1939, encheu um velho galinheiro situado ao lado do convento com os primeiros 70 doentes aos quais passaria a se dedicar em paralelo à assistência aos pobres. Foi o nascimento das Obras Sociais Irmã Dulce, uma instituição que hoje realiza 4 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano.

Popularmente conhecida como “o Anjo Bom da Bahia“, Irmã Dulce foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 1988 pelo então presidente José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia.


Em 22 de maio de 2011, foi beatificada pelo Papa Bento XVI, sendo a sua festa litúrgica celebrada em 13 de agosto, data em que recebeu o hábito da congregação. Com a comprovação de mais um milagre atribuído à sua intercessão, ela está agora rumo aos altares como santa canonizada.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

CHÁ DE SÃO JOSÉ OPERÁRIO





Nesta quarta-feira (01/05/2019), dia em que comemoramos a festa em honra a São José Operário, foi comemorado também o 15° aniversário sacerdotal do Pe. Daniel Luiz Rocchetti Pinto Sac e, para festejar esta data tão especial, foi realizado neste mesmo dia um grande chá em benefício às obras do novo Seminário Palotino do Rio De Janeiro.

Às 15h, iniciaram-se as festividades com a oração do santo terço da misericórdia e a celebração da Santa Missa, presidida pelo Padre Daniel (o aniversariante do dia) e, ao lado de  seus coirmãos palotinos, padres João Sopicki (Reitor e pároco do Santuário da Divina Misericórdia), Francisco Marques (que completou seu 15° ano sacerdotal no dia 17/04), Marcos Karny (Reitor do Pe. Daniel e Francisco durante o período de seminário), Cristóvão Sopicki, Alison (Palotino do Rio Grande do Sul), e Jacinto Wojcik, que manteve o confessionário ativo durante toda a celebração.

Antes do início da Santa Missa, Pe. Daniel foi homenageado com mensagens de seus familiares e amigos e uma bela casula de presente.

Logo após a Santa Missa foi aberta a confraternização do chá, onde tivemos vários tipos de chá, refrigerante, doces, salgados, um show de prêmios entre amigos e um jogo de perguntas e respostas com prêmios; além da música ao vivo com Lucas (N.S. Navegantes, complexo da Maré), Matheus Menduiña (S. da Divina Misericórdia), Rodolfo (S. da Divina misericórdia) na percussão e Françoise (São Roque) no vocal.
Foi ainda um momento em que introduzimos os livros de pedido de oração (onde se deixa um pedido de oração e um seminarista dedica um dia de orações pela intenção) e o livro de ouro do novo seminário.








ESTAR EM FAMÍLIA PARA CELEBRAR A PÁSCOA

Realizou-se neste dia 22/04/2019, no Cenáculo Palotino Mãe do Divino Amor,situado em Guapimirim –Rj,a confraternização com os padres e seminaristas Palotinos do Rio de Janeiro, em comemoração da Páscoa da ressurreição do Senhor.

Neste dia tivemos o grande prazer de comemorar também o aniversário natalício da nossa querida Dona Eva, que à 20 anos trabalha conosco na casa de formação em Guapimirim.

terça-feira, 23 de abril de 2019

TODOS, GRANDES E PEQUENOS, FORMADOS, ESTUDANTES SÃO CHAMADOS A REAVIVAR A FÉ

RENOVAÇÃO DO COMPROMISSO APOSTÓLICO

Na manhã do dia 23 de abril de 2019 aconteceu na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, Rio de Janeiro, o encontro da Família  Palotina. Nessa manhã foi trabalhado pelo nosso sacerdote palotino, Pe. Daniel Rochetti SAC,o tema da missão apostólica da Igreja e a missão palotina. 

Nosso encontro contou com as presenças dos Conselhos Locais da União do Apostolado Católico de Niterói e do Rio de Janeiro, da comunidade das Irmãs Palotinas Romanas do Rio de Janeiro, da comunidade dos Irmãos Palotinos do Seminário Maior e dos próprios paroquianos daquele local que de ofereceram uma bela e calorosa acolhida.Tivemos cerca de cinquenta participantes nesse momento de encontro e confraternização. 


A colocação sobre o tema de nosso encontro do Pe. Daniel SAC foi excelente. Ele expôs aquilo que é próprio de nosso pai  e fundador Vicente, no qual nos espelhamos para sermos missionários, e também dos diferentes modos de vida missionária dentro da Igreja. 

Fica em nosso coração o  chamado para impelir o Amor de Cristo na Igreja e no mundo. Para ser um evangelizadoré necessário estarmos cheios do Amor de Cristo para  impelí-lo nos outros e termos um agir evangelizador. Este agir evangelizador não é apenas um determinada ação de momento, mas toda e qualquer  ação nossa deve ser evangelizadora. 

Nosso dia foi concluído com a Celebração Eucarística presidia pelo  Pe. Paulo Kowalczyk SAC e concelebrada pelos padres Marcos Karny SAC e Daniel Rochetti SAC. Também nessa missa os pios leigos fizeram a renovação de seu Empenho Apostólico na União do Apostolado Católico.

Agradecemos a Deus por esse encontro de formação que reforça o rosto da nossa União quanto 
a anunciadores do Evangelho segundo o carisma de São Vicente Pallotti. Agradecemos também ao Pe. Daniel SAC pela formação, ao Padre Paulo SAC e seus paroquianos  pela  acolhida, a presença do Pe. Marcos SAC, das Irmãs Palotinas e a presença dos demais membros da UAC durante essa manhã. 

sábado, 13 de abril de 2019

30ª MEDITAÇÃO DA QUARESMA: A CAMINHO DA ESTRANHA FELICIDADE

Uma estranha felicidade - que está ao alcance das suas mãos!
A pregação de Jesus começou com um chamado à conversão (Mc 1, 15) e, pouco depois, com um vasto programa de felicidade (cf. Mt 5, 1 ss):

Bem-aventurados os pobres, os que choram…, os que padecem perseguição…

Os ouvintes devem ter ficado pasmos. Nunca ninguém tinha ligado a felicidade – a bem-aventurança –, à pobreza, às lágrimas, às perseguições… Estaria falando sério? Ou estaria desvendando um mistério desconhecido, até então nunca imaginado?

A essa última indagação pode-se responder que sim: essa felicidade de que fala Jesus é um mistério “novo”, que quebra os esquemas e as experiências da história humana. É um  mistério que só pode ser esclarecido pelo próprio Cristo, que veio a este mundo para fazer novas todas as coisas (Ap 21, 5).

Mais ainda. É um mistério que só pode ser captado contemplando a vida de Cristo, do começo ao fim. Nela encontraremos todas as luzes sobre essas alegrias novas que, em meio às dores deste mundo, desabrocham em forma de vitória sobre o mal, sobre a tristeza e sobre a morte, em felicidade eterna que já pode ser saboreada na terra pelos que vivem “em Jesus Cristo”.


É por isso que o Catecismo da Igreja diz, sinteticamente: «As bem-aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem o seu amor» (n. 1717).

As bem-aventuranças são uma perspectiva cristã do amor que leva à felicidade. São um aparente enigma, decifrado apenas por quem é capaz de dizer, como São Josemaria: «Que eu veja com teus olhos, Cristo meu, Jesus da minha alma». Pois todas elas são retratos do amor de Cristo e lições para o nosso amor.

Mistérios de felicidade no amor

─ Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

É a alegria do amor que não fica diminuído nem cativo por causa do apego às coisas materiais, ao dinheiro, às ambições egoístas. Quando Cristo pediu ao jovem rico que vendesse tudo e, assim, ficasse livre para seguir seu caminho de amor, o rapaz não conseguiu livrar-se desses apegos, e retirou-se triste, porque tinha muitos bens (Mc 9,22).

Não ajunteis para vós – nos diz Jesus – tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, e os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está o teu coração (Mt 6, 19-21).

Felizes os que, com coração desprendido, desdobram-se para ajudar material e espiritualmente os indigentes e desvalidos da terra (1 Jo 3, 16-18).

2 ─ Felizes os que choram, porque serão consolados

Esta bem-aventurança fala do coração que chora porque ama, e dói-lhe ver-se a si mesmo e ver os outros afastados de Deus pelo pecado. Esse foi o motivo por que Jesus chorou à vista da cidade de Jerusalém, rebelde a seu apelo de conversão (Lc 19, 41 ss). São as lágrimas que voltaram a escorrer por suas faces, misturadas com gotas de sangue, quando, no Horto das Oliveiras, aceitou beber o cálice amargo dos nossos pecados para nos livrar deles com o Sacrifício da Cruz.

As lágrimas de contrição encheram de paz e de uma alegria inédita a alma da pecadora que chorou, arrependida, aos pés de Jesus (Lc 7, 36 ss); foram fonte de alegria no céu e na terra quando o filho pródigo voltou à Casa do Pai (Lc 15, 32); e também fazem felizes agora os que alcançam o perdão de Deus numa contrita confissão.

3 ─ Felizes os mansos, porque receberão a terra em herança

O amor de Jesus estendia-se a todos, quer o amassem quer o odiassem. Tinha infinita paciência para com os pecadores. E, nos momentos duríssimos da Paixão, como diz São Pedro, ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças… Carregou os nossos pecados em seu corpo para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a santidade (1 Pd 2, 23-24).

A paz com que sofria sem revidar nem perder a paz nem queixar-se, deixou Pilatos boquiaberto. Nunca tinha visto tamanha paz em meio a tanto horror (cf. Jo 19, 8-9).

Aprendei de mim – diz-nos Jesus –, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis repouso para as vossas almas (Mt 11, 29).

4 ─ Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados

            “Justiça” significa santidade, plenitude do amor a Deus e ao próximo. Jesus desejava a nossa santificação e a nossa salvação eterna mais do que a própria vida: Eu vim trazer fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Um batismo (de sangue) eu devo receber, e como estou ansioso até que isso se cumpra! (Lc  12, 49-50).

E, porque nos quer felizes, pede-nos aspirar a um amor grande, pois só esse amor poderá saciar de gozo a nossa alma: Sede, pois, perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48).

A sede de justiça levava São Paulo a exclamar, cheio de gozo: Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda bênção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, no amor, diante de seus olhos (Ef  1, 3-4).

5 ─ Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia

Quando Jesus foi criticado pelos fariseus, porque tinha compaixão dos pecadores e se aproximava deles, respondeu-lhes: Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes. Não é a justos que vim chamar à conversão, mas a pecadores (Lc5, 32).

Do alto da cruz, rezava pelos seus algozes: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!(Lc 23, 34).  E a todos nós pedia-nos aprender com ele a desculpar, a perdoar e a ajudar os outros a sair do seu erro:

Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido… Se vós perdoardes aos outros as suas faltas, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. Mas, se vós não perdoardes aos outros, também vosso Pai não perdoará as vossas faltas (Mt 5, 12.14-15).

Uma das maiores alegrias cristãs é a alegria de perdoar.

6 ─ Felizes os puros no coração, porque verão a Deus

Se o teu olhar for puro, ficarás todo cheio de luz. Mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas (Mt 6, 22-23).

O “olhar” é a intenção com que fazemos as coisas, e a maneira limpa de encarar as coisas da vida e as nossas relações com os outros. A pureza de coração exclui a mentira, a trapaça, o egoísmo interesseiro, a cobiça carnal… Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração (Mt 5, 27).

Nada dificulta tanto ver e entender as coisas de Deus como um coração sujo. Do coração sai tudo, dizia Jesus (Mc 7, 21). Se o coração é puro, a alma se torna transparente, e nela Deus pode ser visto como num espelho.

Essa é a alegria que experimentava São Paulo quando escrevia aos coríntios: A razão da nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência de que, no mundo e particularmente entre vós, temos agido com simplicidade de coração e sinceridade diante de Deus, não conforme o espírito de sabedoria do mundo, mas com o socorro da graça de Deus (2 Cor 1, 12).

7 ─  Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus

No dia em que São João Batista nasceu, seu pai, Zacarias, profetizou que aquele seu filho prepararia o caminho do Senhor, de Jesus que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz (Lc 1, 76.79).

Os anjos anunciaram o nascimento de Jesus com uma mensagem de paz: Paz para os homens de boa vontade (Lc 2, 14); e, antes da paixão,  Cristo se despediu com uma promessa de paz: Não vos deixarei órfãos… Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz… Não se perturbe o vosso coração nem se atemorize! (Jo 14, 18.27).

Ele, que foi “portador da paz”, declara que nós seremos felizes se  procuramos ser no mundo «semeadores de paz e de alegria» (São Josemaria), isto é, se ajudamos os outros a acolher na alma a paz que procede da luta por viver na fé e no amor de Cristo.

8 ─  Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus

Jesus havia anunciado que os seus discípulos, ao longo dos séculos, muitas vezes sofreriam perseguição, calúnias, martírio (cf. Mt 5, 11-12; Jo 15, 18-21).

A história atual está sendo o cenário de uma das maiores perseguições já sofridas por cristãos: desde a perseguição procedente de leis e governos empenhados em banir os valores cristãos, até o martírio sangrento de muitos milhares de cristãos – mais, nos últimos decênios, do que os mártires da perseguição romana nos três primeiros séculos –, que estão sendo agora torturados, encarcerados, exilados, degolados pelos que odeiam “o povo da Cruz”.

Jesus os chama “felizes”! Muitos mártires morreram com paz, rezando e pronunciando com amor o nome de Jesus – como os dezenove recentemente decapitados na Líbia (2015) –, perdoando os seus assassinos e rezando por eles. Não só tinham a certeza da felicidade eterna no Céu, mas já possuíam a graça da fé que consegue dizer como São Paulo: Estou crucificado com Cristo… Cristo vive em mim… Vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim (Gl 2, 19-20).

Uma loucura divina

Você meditou um pouco no que acabamos de comentar? Estivemos tratando de um modo muito breve essa página capital da mensagem de Jesus[1]. Mas, se quiser ser feliz de verdade, peça ao Espírito Santo que o ajude a aprofundar nessa loucura divina, mais sábia do que os homens (1 Cor 1, 25).

Deixe-me insistir. As bem-aventuranças são um segredo maravilhoso, mas só podem ser compreendidas olhando para o amor de Jesus e contemplando-as em sua vida.

Mais ainda. Somente quando nos decidimos a viver na intimidade da Trindade – numa vida de Sacramentos, de fé e de oração – é que começamos a saboreá-las. Descobrimos então a alegria nova de viver:

– sob o olhar de Deus Pai

– em união com Jesus Cristo

– e movidos pela graça do Espírito Santo.



(Pe. Faus)