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domingo, 6 de maio de 2018

O melhor... e o pior de mim


Gostaria de escrever este artigo, como se fosse uma conversa contigo, meu querido leitor. Pudera estarmos juntos, olho a olho, perto... talvez em torno de uma mesa de lanchonete, tomando um açaí e conversando. Mas não é possível estar em todos os lugares para conversar olho a olho com todos os meus leitores de agora; portanto, imagine-se onde melhor gostaria de estar e com as melhores pessoas que gostaria de estar. 

Pois bem, imaginou?

Agora complico a situação e é este o motivo, o coração mesmo deste artigo, que quero escrever/falar/ conversar com você. Faço-te uma pergunta inquietadora, que me fiz recentemente e que tanto me tumultuou aqui dentro: 

As pessoas que estão ao teu redor, estas mesmas que você gosta e as imaginou contigo neste lugar especial, sim, elas mesmas, elas te amam pelo melhor ... e também pelo pior de ti? 

Ufa, um soco, não é? 

Pois é, elas te amam pelo teu melhor... pelo melhor que você é e também pelo pior de você mesmo? 

Respire fundo. Faça um breve exercício: inspire, expire... inspire, expire... inspire, expire... Acalme-se. 

Mas tente responder a si mesmo: quem te ama, te AMA mesmo? E você, ama? Ama realmente?! 

As leituras do 6º Domingo da Páscoa giram em torno da revelação do Amor Divino, que é Deus, como explica João (1 Jo 4,7-10): Deus é Amor! E este Deus-Amor, no Evangelho nos convida a permanecermoss n´Ele (Jo 15,9-17), pois só quando permanecermos no Amor nossa alegria realmente será completa. 

E a quem Deus ama? Ora, na primeira leitura Pedro faz uma profunda experiência desta revelação amorosa de Deus: “Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável” (At 10,25-26.34- 35.44-48). Deus não faz acepção de pessoas. Deus ama. Todos os que O temem e que buscam praticar a justiça, Ele ama. 

Deus não faz acepção de pessoas! Deus ama! E acrescentou São Paulo em sua carta ao Romanos: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores (Rm 5,8)”. Ou seja, Deus nos ama conhecendo o melhor e o pior de nós mesmos. 

Ele nos ama assim, insistentemente. Na pior de nossas versões, Ele demonstrou Seu amor por nós... 

Sabem, meus leitores, somos Cristãos, e como tais, somos convidados a Permanecer no Amor, para experimentá-Lo e sermos n´Ele resgatados e salvos. Mas ainda tem algo importante: como Cristãos, somos convidados a Permanecer no Amor, para sermos capazes de exercê-Lo em nossas relações, amando e experimentando ser amados pelos outros, na melhor e na pior de nossas versões.

Pe. Daniel Luz Rocchetti, SAC - Reitor do Seminário Maior Palotino (RJ)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Defesa de Tese Doutoral | Pe. Daniel Luz Rocchetti SAC



Hoje,(dia 04 de novembro de 2015), eu tive a chance de defender a minha tese de Doutorado em Missiologia (Teologia da Missão), pela Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma – Itália. 


Depois de vários anos especializando-me, ou seja, fazendo um bacharelado e depois um mestrado nesta área, tive a alegria de, hoje, defender minha tese, cujo título é: O Fiel Neopentecostal como destinatário do anuncio do Reino. E o subtítulo: Recuperar o anúncio do Reino de Deus para um confronto com o Neopentecostalismo e a sua teologia em um novo tempo da Igreja no Brasil.

O trabalho desenvolvido ao longo destes anos buscou identificar o pensamento teológico das igrejas neopentecostais e fazer um contraponto com a doutrina católica. Não tem um objetivo de condenação ou de apologia, mas buscou-se conhecer para esclarecer... (um resumo da tese pode ser visto logo abaixo).

A defesa ocorreu num clima de alegria e de emoção; os professores me fizeram perguntas; “puxaram” de mim alguns posicionamentos, próprio como deve ser, numa defesa. Estou feliz. Estou satisfeito. Acredito, neste percurso todo, ter discernido a Vontade de Deus e tê-la cumprido. 

Como doutor em Missiologia, agora, resta-me ajudar na conscientização missionária de cada um, de cada batizado.

Resumo: O Reino de Deus é um conceito bíblico que perpassa todas as fases da história da Salvação: desde os primeiros momentos desta história com Abraão até ao seu ápice, com a Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e como uma continuidade, também nos dias da Igreja. 
O Reino de Deus é dom e como tal, é recebido. Ele é simples e é frágil, pois precisa ser acolhido para que se manifeste. De fato, o Reino de Deus é o encontro de dois movimentos, ou seja, acontece quando Deus encontra o homem e este encontra a Deus e se abre à Sua Vontade. A riqueza do Reino de Deus é Ele mesmo. E experimentá-lo, é aceitar a Sua Vontade. Hoje a Igreja no Brasil sofre a saída de muitos de seus membros que preferem ao discurso e à experiência neopentecostais. 
Esta pregação apresenta o Reino de Deus como uma experiência de prosperidade e benesses. Neste Reino, a pobreza é sinal de maldição. Neste Reino, ninguém participa se não abraça a doutrina neopentecostal. Este Reino, portanto, desvirtua o lugar do pobre, que era privilegiado no coração de Deus e de Seu Povo. Na pregação deste Reino de Deus, o centro é a posse, e o critério de valor é o ‘ter’.

O fiel neopentecostal é, portanto, um novo sujeito à missão cristã. De fato, ele é sujeito ao anuncio do Reino de Deus. Urge apresentá-los à doutrina acerca do Reino, encarnada e vivida pelo próprio Senhor Jesus, que sendo rico fez-se pobre. E que tornou bem-aventurados aquele que eram desventurados, excluídos e pobres. 

Pe. Daniel Rocchetti SAC





(Um vídeo no qual foi anunciado que alcançara o grau de doutor. O anúncio é sempre em latim e em nome do Sumo Pontífice. E eu, em italiano, tenho a chance de ainda dizer algumas palavras de agradecimento.)






































terça-feira, 11 de março de 2014

A dimensão ecumênica do carisma palotino | Pe. Daniel Luz Rocchetti SAC

Um só rebanho sob um só Pastor:
a dimensão ecumênica do carisma palotino

Nos escritos de nosso Fundador, é recorrente, como um refrão, o seu desejo de ver um só rebanho sob um só Pastor. Em suas orações, esta expectativa se traduzia em palavras de súplica constante e em seu apostolado, como iniciativa e também como finalidade, São Vicente Pallotti trabalhava para ver o dia no qual todos estariam sob a régia autoridade do Pastor, o Vigário de Cristo, o Santo Padre. Tudo ao seu alcance ele fazia, ele realizava, para que as conversões acontecessem e os ímpios, os hereges, os cismáticos... e qualquer outro se voltasse à Deus, e se rendesse aos ensinos da Igreja Católica e à obediência ao Sumo Pontífice.
 
E não era poderia ser diferente, pois naquela época, e fundamentalmente naquela Roma sob o governo temporal do Santo Padre, toda a teologia, espiritualidade e vivência cristãs eram compreendidas tendo nítida referência ao Sumo Pontífice. E portanto, o refrão repetidamente evocado por Pallotti não era jamais compreendido para além desta que era a realidade eclesial e social em que vivia: todos deveriam se unir ao rebanho católico, que por sua vez, era regido sob o único Pastor, o Sumo Pontífice, o Vigário de Cristo. 
Mas a teologia é orgânica, uma ciência viva na qual se permite que o estudioso aprofunde a reflexão e novas nuances vão sendo reveladas, daquela que é a toda Verdade Revelada. Alias, o próprio Senhor Jesus anunciou o Espírito Paráclito para levar-nos ao conhecimento da Verdade toda inteira (cf. Jo 16, 13). Por tanto, proclamar que temos a Verdade e que cremos nesta Verdade não é o mesmo que dizer que compreendemos totalmente esta Verdade! Esta compreensão da Verdade Revelada, aos poucos, pela reflexão teológica, vai se descortinando ao longo da história.
 


E por isso, foi o Concílio Vaticano II quem permitiu alargar mais a compreensão daquele refrão ‘um só rebanho sob um só Pastor’. Nas entrelinhas dos vários documentos, o Concílio vai recolocando em seu devido lugar a compreensão daquela máxima: o Pastor é o Cristo, o Único, o Senhor, de um rebanho enorme, composto de todos os que O seguem, que são discípulos seus, os cristãos e aqueles que, não o seguindo, têm reta intenção e vivem o que é correto em suas vidas. Em documentos importantes ele coloca a Igreja toda em uma situação de diálogo e de abertura ao outro religioso. São os casos dos documentos conciliares Orientalium Ecclesiarum (às Igrejas Orientais Católicas) e Nostra Aetate (as Relações da Igreja com as Religiões não-cristãs) e Dignitatis Humanae (a liberdade religiosa à luz da Revelação). Sem contar ainda, com o documento Unitatis Redintegratio, que visa dar pistas para um caminho ecumênico, passos para a unidade dos cristãos.
Sim, o Concílio Vaticano II alargou a compreensão da máxima “um só rebanho e um só Pastor” que Pallotti tanto amava e desejava e ansiava. Poderíamos então afirmar, baseando-se no amor que o Santo tinha pela Igreja – ele, num compasso com Ela; ele, num bate-cuore com Ela – que também ele, hoje, trabalharia nesta mesma direção: um só rebanho de homens e mulheres de bem, sob o Senhorio do Único Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo! Desta feita, hoje, reconhece-se a importância de um palotino enveredar pelos caminhos da Unidade entre Cristãos e o diálogo Inter-Religioso. Não poderíamos fugir desta dimensão; não poderíamos nos calar diante deste mundo plural ou num grito solitário, fechados em nossos conceitos e critérios, pensar que todos deveriam ser como nós. A compreensão da diversidade apostólica, o Apostolado Universal, o Apostolado Católico, intuição tão original e tão preciosa de São Vicente Pallotti, indiscutivelmente replica na beleza da diversidade religiosa, que à base do diálogo fraterno e sincero, vai se ajuntando em um só rebanho, regido sob os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Único Pastor.
Pe. Daniel Luz Rocchetti SAC 
Reitor do Seminário Maior Palotino-RJ

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Penha - RJ

No dia 31 de janeiro de 2012, o Seminário Maior Palotino fez uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Penha. A intenção principal desta peregrinação foi consagrar todo o ano letivo a Virgem Santíssima.
         Além da intenção principal cada seminarista pode também colocar sobre o altar suas intenções particulares através da devoção do Santo Terço.
         De forma simples todos puderam experimentar a graça Divina através das mãos de Maria.

         No fim da peregrinação o reitor - Pe. Daniel Rocchetti, SAC – fez a proposta de todos retornassem a este santuário para agradecer as graças alcançadas, proposta acolhida por todos.
         Que Nosso Senhor possa nos abençoar e que a Virgem Santíssima possa caminhar com toda a Comunidade de nosso seminário ao longo do ano.          

Nov. Rafael Moura