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domingo, 19 de agosto de 2018

A vocação de irmão palotino


A vocação de irmão palotino

“O que é ser irmão consagrado?” “Não é só padre?” “Nos palotinos tem isso? Não sabia!” São perguntas recorrentes que escuto tanto de fiéis leigos, como de padres e consagrados e tenho grande alegria de responder. A Sociedade do Apostolado Católico (SAC) é uma comunidade de padres e irmãos palotinos. A vocação de irmão faz parte da origem da fundação de São Vicente Pallotti e sem ela a SAC perderia sua originalidade e sua distinção frente a outros institutos e comunidades religiosas, pois deixaria de testemunhar a universalidade do Apostolado Católico. É uma vocação específica, que na Igreja, teve origem nos primeiros séculos do Cristianismo, com os primeiros monges que eram irmãos leigos.
Ir. Elson Carvalho, SAC - com seus pais

O irmão palotino tem como modelo de vocação São José, que cooperou de maneira eficaz na vida de Cristo, com seu trabalho, amor de pai, serviu o Senhor, de forma silenciosa, levando uma vida oculta, santa e “justa”. Esse é o trabalho que o irmão exerce na comunidade palotina, servir a Deus e aos irmãos, levando uma vida simples, silenciosa, de oração, de serviço, fora dos holofotes, dedicando toda a sua vida ao Apostolado Católico.
Ir. Leandro Benetti, SAC - Brasileiro

A vocação do irmão, às vezes, é confundida com trabalhos específicos, como jardineiro, carpinteiro, cozinheiro, não há nada de vergonhoso nestes trabalhos, no entanto, identificar a vocação de irmão a esses serviços é reduzir por completo, não só a vocação de irmão, mas o próprio carisma palotino, que não é o muito fazer, mas o ser. Ser irmão é ser Cristo na Terra, nas suas características pré anuncio evangélico, na sua vida simples em Nazaré, com sua profunda união com o Pai e nos serviços que a vida humana lhe exigia, como carpinteiro, por exemplo. Vemos, portanto, que a vocação de irmão é mais do que fazer é ser.
Ir. Carlos Zontini, SAC - Brasileiro (*1922 +2016).

O irmão tem servido a Igreja em vários campos. Na comunidade palotina, o irmão tem trabalhado tanto nas missões, como nas casas de formação, no trabalho caritativo e assistências sociais, na educação, como professores, diretores, etc. Em resumo, o irmão pode fazer tudo que não exige o ministério sacerdotal. Isso faz com que o irmão tenha uma ação mais livre do que aqueles que são padres, pois estes têm compromissos com o seu ministério na sua comunidade local, seja na paróquia ou em uma diocese, o irmão, por sua vez, pode exercer seu ministério consagrado leigo em toda parte, sem limites territorial e diocesano.
Ir. Rafał Jan Zajdowicz, SAC - Polonês

“E todos vocês são irmãos” (Mt 23,8). A vocação de irmão só tem sentido em comunidade, porque “o irmão só é irmão em meio aos irmãos, no contexto da fraternidade, nunca solitário”. Na comunidade, o irmão se faz um com os outros, vivendo em comunhão de vida e de apostolado. Na SAC, somos uma comunidade de irmãos, acontece que alguns irmãos são chamados para exercer na Igreja e em favor do povo de Deus o ministério sacerdotal. Portanto, os padres palotinos nas comunidades paroquiais são padres, mas na SAC, são irmãos com os irmãos.
Ir. Matthias Terhorst, SAC - Alemão

A missão do irmão na Igreja é testemunhar para todo o povo cristão a importância da doação total de si mesmo a Deus e de que todos são chamados a levar uma vida santa, seguindo os conselhos evangélicos. Peçamos a Deus, que suscite, no meio do seu povo, vocacionados a irmão, que imitando São José, doe sua vida de maneira silenciosa, laboriosa e orante pelo bem da Igreja.


Irmão Elson Carvalho, SAC

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Discernimento Vocacional

          No dia de hoje, 31 de agosto, último dia do mês considerado das vocações, queremos partilhar um pouco com vocês qual a visão sobre o discernimento vocacional e a verdadeira vocação segundo Pallotti, já encontrado em nossa Ratio Institutionis:
          "A prática do discernimento nasce no Antigo Testamento e se recomenda no Novo Testamento, principalmente em S. Paulo e S. João. O apóstolo João, na sua primeira carta, põe em guarda os cristãos no sentido de que adquiram uma atitude crítica diante das inspirações: “Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito. Examinai primeiro se os espíritos são de Deus” (1Jo 4,1). Nas cartas de S. Paulo encontra-se todo um processo de discernimento da vocação:
          a. Deus dá a certeza da vocação divina: “Quando aprouve àquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou por sua graça, para revelar seu Filho em minha pessoa” (Gl 1,15);
          b. Tal chamado deve ser verificado pela comunidade eclesial e pelos seus responsáveis: “Três anos depois, subi a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias” (Gl 1,18). Portanto, dentre os critérios, mediante os quais pode-se ter certeza de que uma determinada inspiração provém realmente de Deus, há “o imediatismo de Deus na docilidade eclesial” e “a escuta de Deus na vida pessoal passa necessariamente através da mediação da igreja, na leitura dos sinais dos tempos da sociedade em que se vive”. Aliás, S. Paulo encoraja os Efésios: “Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus” (Ef 5,17). Entre os sinais que confirmam a vontade de Deus temos a experiência: da assim chamada consolação na oração, de um gosto ou então de uma inclinação para as coisas de Deus, e de um desejo de servi-lo na Igreja de Jesus Cristo.
          Se a palavra discernimento significa “provar”, “experimentar”, “examinar”, ela nos introduz na natureza deste período da formação palotina. É preciso um tempo para provar, experimentar ou examinar o candidato à Sociedade:
          a. a ver se, nele, vêm à tona os sinais de uma vocação à vida consagrada na Sociedade do Apostolado Católico;
          b. se existem as condições fundamentais de saúde, capacidade intelectual, espiritual e moral, necessárias para seguir na vida consagrada;
          c. se e quais sejam as circunstâncias que possam tornar difícil o processo;
          d. Se ele é chamado a seguir Jesus, o Apóstolo do Eterno Pai, na Sociedade e na União;
          e. se e qual ajuda a Sociedade possa oferecer ao jovem para ele entender o sentido de sua vida e descobrir a sua vocação de filho de Deus.
           A vocação é um dom de Deus, mas é também um compromisso da pessoa. Pallotti gostava de falar de correspondência à vocação. ("Corresponder com humildade e gratidão ao divino chamado" - OOCC X, p. 584). Pedia perdão a Deus por sua “pouquíssima correspondência à vocação” (OOCC X, p. 582). Julgava que para ser padre era preciso ter uma vocação (“Vou implorar ao Senhor que não permita que eu, ou outros, entrem para o Ministério Eclesiástico se não são chamados, e que aos que nele já estão os santifique, e que torne chamados aos não chamados, e santifique e faça com que correspondam à vocação os verdadeiramente chamados” - OOCC X, p. 562). Ele falava também do “espírito de sacrifício”, que pertence à vocação (“E, como Nosso Senhor Jesus Cristo entrou no mundo, viveu e morreu com o espírito de sacrifício, assim, com maior perfeição que os leigos devem entrar no Santuário com o espírito de sacrifício” – OOXX I, pp. 157-158.) , enumerando os autênticos sinais dela: “verdadeiro talento, índole admiravelmente antecedida pela graça, inclinação decidida pelo Santuário, e... todas as outras qualidades virtuosas e favoráveis, de que se adornam os que dão fundada esperança de poder chegar a ser ótimos operários evangélicos”.