segunda-feira, 14 de maio de 2018

Festa de São Vicente Pallotti em San Giorgio di Cascia 2018



A semana, em que celebramos o 200º aniversário da ordenação sacerdotal de São Vicente Pallotti, começou com a festa de nosso Fundador em San Giorgio di Cascia. A família Palotina se reuniu em 13 de maio de 2018 nesta pequena aldeia da Úmbria (Itália), onde nasceu Pietro Paolo Melchiorre Pallotti, pai de São Vicente Pallotti, para participar de uma solene celebração Eucarística presidida pelo Reitor Geral, Pe. Jacob Nampudakam.

Durante a homilia, ele lembrou que neste dia, em 1981, São João Paulo II sofreu um ataque e foi salvo por Nossa Senhora de Fátima. Depois deste acontecimento, em Zakopane, na Polônia, os palotinos construíram um santuário mariano como agradecimento pela salvação da vida do Papa. Exatamente hoje, este santuário de Nossa Senhora de Fátima tornou-se um santuário nacional. Além disso, ele destacou como foi escrito por São Paulo em sua carta aos Efésios e escutada na segunda leitura da Missa da Festa da Ascensão do Senhor: “foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo”, é isso que São Vicente Pallotti tentou colocar em prática. Na Igreja, todos somos chamados a realizar a mesma tarefa: construir a Igreja de Jesus, mas cada um em seu próprio estado, cumprindo seus deveres e colocando Deus no centro de sua vida. 

Como de costume, todos participaram da procissão com a imagem e as relíquias de São Vicente Pallotti. Agradecemos ao Pe. Joseph Kiran Madan SAC, aos paroquianos de San Giorgio di Cascia pela recepção e preparação da celebração e ao Padre Giovanni Grappasonni SAC pelo tríduo realizado antes da festa, aprofundando o tema do bicentenário da ordenação sacerdotal de São Vicente Pallotti. A rádio polonesa Pallotti.FM transmitiu a celebração pela web. 

Fonte:https://sac.info/festa-di-san-vincenzo-pallotti-a-san-giorgio-di-cascia-2018/?lang=pt-br#more-107770

domingo, 6 de maio de 2018

O melhor... e o pior de mim


Gostaria de escrever este artigo, como se fosse uma conversa contigo, meu querido leitor. Pudera estarmos juntos, olho a olho, perto... talvez em torno de uma mesa de lanchonete, tomando um açaí e conversando. Mas não é possível estar em todos os lugares para conversar olho a olho com todos os meus leitores de agora; portanto, imagine-se onde melhor gostaria de estar e com as melhores pessoas que gostaria de estar. 

Pois bem, imaginou?

Agora complico a situação e é este o motivo, o coração mesmo deste artigo, que quero escrever/falar/ conversar com você. Faço-te uma pergunta inquietadora, que me fiz recentemente e que tanto me tumultuou aqui dentro: 

As pessoas que estão ao teu redor, estas mesmas que você gosta e as imaginou contigo neste lugar especial, sim, elas mesmas, elas te amam pelo melhor ... e também pelo pior de ti? 

Ufa, um soco, não é? 

Pois é, elas te amam pelo teu melhor... pelo melhor que você é e também pelo pior de você mesmo? 

Respire fundo. Faça um breve exercício: inspire, expire... inspire, expire... inspire, expire... Acalme-se. 

Mas tente responder a si mesmo: quem te ama, te AMA mesmo? E você, ama? Ama realmente?! 

As leituras do 6º Domingo da Páscoa giram em torno da revelação do Amor Divino, que é Deus, como explica João (1 Jo 4,7-10): Deus é Amor! E este Deus-Amor, no Evangelho nos convida a permanecermoss n´Ele (Jo 15,9-17), pois só quando permanecermos no Amor nossa alegria realmente será completa. 

E a quem Deus ama? Ora, na primeira leitura Pedro faz uma profunda experiência desta revelação amorosa de Deus: “Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável” (At 10,25-26.34- 35.44-48). Deus não faz acepção de pessoas. Deus ama. Todos os que O temem e que buscam praticar a justiça, Ele ama. 

Deus não faz acepção de pessoas! Deus ama! E acrescentou São Paulo em sua carta ao Romanos: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores (Rm 5,8)”. Ou seja, Deus nos ama conhecendo o melhor e o pior de nós mesmos. 

Ele nos ama assim, insistentemente. Na pior de nossas versões, Ele demonstrou Seu amor por nós... 

Sabem, meus leitores, somos Cristãos, e como tais, somos convidados a Permanecer no Amor, para experimentá-Lo e sermos n´Ele resgatados e salvos. Mas ainda tem algo importante: como Cristãos, somos convidados a Permanecer no Amor, para sermos capazes de exercê-Lo em nossas relações, amando e experimentando ser amados pelos outros, na melhor e na pior de nossas versões.

Pe. Daniel Luz Rocchetti, SAC - Reitor do Seminário Maior Palotino (RJ)

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O sacerdócio e a devoção mariana em São Vicente Pallotti



Na continuidade das reflexões motivadas pelo bicentenário da ordenação sacerdotal de São Vicente Pallotti, vou me deter em um aspecto significativo da vida e da atividade apostólica dele, a saber, a sua filial, terna e apaixonada veneração a Maria Santíssima. “Grande devoto de Nossa Senhora, ele desejava amá-la infinitamente, se fosse possível, dar-Lhe os títulos mais belos, amá-La com o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Iluminados por este trecho da homilia pronunciada por São João Paulo II, na ocasião em que celebrou a Eucaristia, na Igreja romana de São Salvador da Onda, centro espiritual da fundação palotina, queremos ocupar-nos do ministério sacerdotal de São Vicente Pallotti e sua devoção mariana.

Apoiando-nos nos ombros de gigantes, nós, que somos pequenos, podemos desnudar horizontes mais distantes e amplos, como nos ensina uma famosa e antiga máxima. Nesta breve reflexão, não será diferente. Contudo, muito distante está o nosso esforço da acuidade destes grandes homens, de modo que o ponto de partida se deu com leituras de grandes autores palotinos, como o Pe. João Batista Quaini, SAC, de saudosa memória, Pe. Jacob Nampudakam, SAC, o próprio São Vicente Pallotti e tantos outros grandes sacerdotes e consagrados que, pelos seus escritos e palavras, ajudaram-nos na inspiração e na fundamentação desta pequena contribuição.


São Vicente Pallotti, por meio de seus escritos, ensina-nos que há uma estreita relação entre o reto exercício do ministério sacerdotal e a devoção mariana. Para nosso fundador, Maria era Mãe, Mestra e Advogada, contudo é a imagem de Maria como Mestra da vida espiritual que desempenha um papel fundamental em sua vida sacerdotal. A mestra da escuta, do silêncio e da oração estava ali presente no Cenáculo, como nos recorda o Padre Geral dos palotinos, Jacob Nampudakam. Naquele momento crucial para a Igreja nascente, ela confortou e encorajou os apóstolos que haviam deixado que o desespero e o medo trancassem as portas de seu coração. Trancadas também estavam as portas daquela “sala de cima”, onde eles ainda podiam sentir-se seguros, à sombra da lembrança dos fatos que ali presenciaram.

Em Pentecostes, a Virgem Santíssima, como esposa diletíssima do Espírito Santo, abre as portas dos corações dos Apóstolos, para que estes passem de discípulos amedrontados a pregadores intrépidos da boa nova do Reino! O mesmo deseja ela hoje aos seus filhos prediletos, os presbíteros: “Vede, filhos, o Pregador do Evangelho deve ser como trovão de Deus, que salutarmente comove os corações dos infelizes escravos do pecado” (São Vicente Pallotti – “Mês de Maio para Eclesiásticos”). E aos sacerdotes que se perderam em meio a questionamentos e crises, Pallotti se dirige por meio de Maria, dizendo: “Acaso duvidais da vocação divina? Não fiqueis apavorados, filhos meus! Sabeis bem o que deveis fazer para remediar, mas estais com medo porque nunca vos empenhastes, pra valer, em corrigir-vos? Mesmo assim, alegrai-vos! Pois, agora chegou o tempo, este é o momento! Porque já não tereis coragem de resistir à voz do Pai das Misericórdias e aos remorsos da consciência. Dai-me vosso coração rebelde! Desligai-o de todo laço terreno, que miseravelmente vos levou até agora a resistir à graça e impediu que vos entregásseis inteiramente a Deus, para corrigir todas as desordens” (São Vicente Pallotti – “Mês de Maio para Eclesiásticos”).


Como se vê, é em sua obra o “Mês de maio para os eclesiásticos”, que São Vicente Pallotti melhor expõe os seus ensinamentos sobre a importância da presença de Maria Santíssima na vida sacerdotal. Fazendo-o de forma singular, Vicente Pallotti põe na boca de Maria, a Mãe de todos os sacerdotes, ensinamentos salutares aos que são chamados a tal estado sublime. Todo sacerdote deve, portanto, deixar-se tocar de forma profunda pela devoção à “Mãe de Deus e nossa”. São Vicente Pallotti, de forma muito lúcida e sóbria, esclarece no que consiste a verdadeira devoção à Virgem Maria, a saber: imitar seu Filho Jesus Cristo e dela aprender esta imitação. Por isso, imitar a Maria Santíssima, que é pura transparência de seu Filho, é o melhor modo de imitar a Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, o Apóstolo do Eterno Pai .

O Padre Geral, em seu pequeno livro sobre “O Espírito sacerdotal segundo São Vicente Pallotti”, aponta que, na escola de Maria, o sacerdote deve aprender, como ensina Pallotti: a imitar a obediência da filha amadíssima do Eterno Pai, no cumprimento da sua vocação; a fecundidade espiritual da Mãe do Verbo Encarnado, e assim multiplicar os filhos da Igreja; e a fidelidade da enamoradíssima Esposa do Espírito Santo, em seu sagrado ministério. O Padre Jacob Nampudakam ainda recorda que, aos sacerdotes, a Virgem Maria prometeu proteger e auxiliar em seu ministério, bem como fez na vida de São Vicente, de modo a despertar, nestes mesmos corações sacerdotais, a confiança e a entrega total. Assim, sob a proteção da Rainha dos Apóstolos, alcancem os sacerdotes, por sua intercessão materna, a graça de exercerem um digno ministério, dispostos a dar a vida pela Glória de Deus e a salvação das almas.

José Luiz Alves da Silva Junior, SAC

fonte: https://pallotti.com.br/noticia/bicentenario-da-ordenacao-de-sao-vicente-pallotti/

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Bicentenário da ordenação presbiteral de São Vicente Pallotti


No dia 16 de maio de 2018, celebramos o bicentenário da ordenação presbiteral de São Vicente Pallotti, fundador da União do Apostolado Católico (UAC).

Queremos recordar esta data em que nosso santo recebeu, na Basílica de São João do Latrão, em Roma, o dom do sacerdócio, no grau de presbítero. Este acontecimento oferece uma ocasião para refletir a maneira como Pallotti vivenciou esse ministério e que pode enriquecer a nossa vida espiritual.


Ele viveu o seu ministério sacerdotal em Roma, uma experiência construída sob as pegadas de Jesus Cristo, e suas atividades constituem a nossa herança espiritual. Também é fonte de inspiração para o nosso aprofundamento e renovação do verdadeiro espírito evangélico do sacerdócio. Na primeira metade do século XVIII, reforçou-se o modelo de sacerdote bom pastor, disposto a guiar e a defender as ovelhas desgarradas, num tempo em que as práticas religiosas estavam enfraquecidas.

No seu período de formação sacerdotal, podemos identificar alguns fatores que criaram a sua identidade sacerdotal. Primeiramente, deve-se dizer que ele não frequentou a vida do seminário, mas, durante os seus estudos, permaneceu na casa dos seus familiares. Quanto à sua formação humana e religiosa, teve a influência de várias pessoas, a saber: os seus pais, o confessor Bernardino Fazzini, os mestres dos Escolápios, os professores do Colégio Romano, os diretores dos exercícios espirituais anuais e dos retiros. Dois foram os fatores que incidiram muito na formação sacerdotal e no exercício do seu ministério como padre diocesano. O primeiro foi que a sua formação espiritual se desenvolveu por meio de uma intensa e dedicada vida de oração. O segundo fator refere-se à sua admissão às ordens sagradas com o título de patrimônio, ou seja, nos seus primeiros anos de sacerdócio, morou na casa paterna e, como não estava vinculado a nenhum ofício diocesano, ele podia decidir livremente sobre suas escolhas pastorais.

Vicente Pallotti conservou sempre em sua memória o dia extraordinário da ordenação, ocorrida em 16 de maio de 1818, data que ele mesmo menciona com frequência em seus apontamentos espirituais.

A sua preparação ocorreu por meio dos exercícios espirituais. As celebrações litúrgicas destes dias, a Oitava depois da Ascensão, as solenidades de Pentecostes e da Santíssima Trindade, o estimularam a entrar no grande mistério de Deus Uno e Trino.

Em seus apontamentos espirituais, exprimiu os sentimentos do seu coração de forma simples e com propósitos concretos. Antes de tudo, agradeceu a Deus pelo inestimável dom da vocação e meditou sobre seus deveres como sacerdote. Por isso, pediu ao Senhor a graça de não querer honras, de dar bom exemplo de amor a Deus e ao próximo, de ser sóbrio e vigilante, de ter instrução e ciência necessária, de ser um trabalhador incansável, de viver a perfeição evangélica e de se assemelhar, em tudo, a Jesus Cristo.

Vicente Pallotti empenhou-se, desde o início da sua ordenação sacerdotal, em viver profundamente o seu ministério, com renovado vigor evangélico. Ao interiorizar este novo estilo de vida, ele o fez radicalmente, seguindo a Cristo com uma visão ampliada, para melhor servi-Lo em todas as suas atividades. Segundo ele, a missão do padre estava diretamente ligada  à  caridade e ao cuidado espiritual das pessoas.

Pode-se dizer que quatro foram as obras promovidas por ele, e que até hoje trazem o seu nome: o Oitavário da Epifania (1835), A União do Apostolado Católico (1835), a Pia Casa de Caridade (1838) e a missão de Londres (1843). O ministério sacerdotal se tornou modelo de vida espiritual a todos os sacerdotes.

A sua extraordinária via de santidade, e a sua total dedicação à realização da missão salvífica da Igreja, fizeram com que merecesse o título de “modelo de santidade sacerdotal”.

O ano do bicentenário de ordenação sacerdotal de Vicente Pallotti nos convida a perscrutar os seus ensinamentos em relação ao sacerdócio e também a refletir qual é a sua visão sobre o mesmo. Quando nos aprofundamos em seus escritos, percebemos que sua fecundidade espiritual e eficácia apostólica estão pautadas na visão que tinha acerca do sacerdócio de Jesus Cristo, único e eterno sacerdote.

A dignidade sacerdotal não é dada ao homem como um poder humano, e muito menos pela própria iniciativa da pessoa. Para Pallotti, o sacerdote é um homem de Deus, eleito por Deus para ser a sua imagem viva e transparente no mundo e na Igreja. Portanto, o sacerdote participa da própria missão que o Pai Eterno confiou ao seu Filho Jesus. O ministério ordenado está inserido na comunhão trinitária do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

As reflexões sobre o sacerdócio, vivenciadas por Vicente Pallotti, demonstram uma espiritualidade sacerdotal palotina muito profunda e rica de referências bíblicas e teológicas. É uma espiritualidade centrada na imitação de Jesus Cristo e no amor a Deus.

Ao confrontarmos o ensinamento da Igreja e aquele apresentado por Pallotti sobre o ministério e a vida sacerdotal, encontramos tantas semelhanças a ponto de dizer que ambas são de inspiração palotina. Os documentos do Concílio Vaticano II retomam a figura do Bom Pastor, fazendo dele o ponto central da espiritualidade sacerdotal.

A figura do sacerdote que segue Jesus Bom Pastor revela, na descrição de Pallotti, uma fonte de inspiração sempre atual, mesmo que os tempos sejam outros. Os sacerdotes não são meros “atores” que encenam, recitando a parte do Pastor, mas são chamados a apascentar o povo de Deus, com caridade pastoral, que anima a sua vida espiritual e as atividades, como servidores de Cristo e dos irmãos. Nos tempos atuais, o Papa Francisco mostra o seu empenho e pede a todos para que tenham uma atitude de pastor, misturando-se com as ovelhas a ponto de adquirir o seu cheiro.

O ano do bicentenário de ordenação sacerdotal de Vicente Pallotti é graça do Senhor para redescobrirmos a riqueza espiritual do sacerdócio de Jesus Cristo, segundo a visão do nosso Fundador. Nos nossos dias, os sacerdotes se encontram diante de grandes desafios. Procura-se eliminar a presença do sacerdote da vida pública e, às vezes, de atingi-lo na sua identidade mais profunda, obscurecendo a sua dimensão divina. Vicente Pallotti nos ensina que o sacerdote é o representante do Deus vivo e o sinal visível da caridade de Cristo.

Pe. Clesio Facco SAC - Superior da Província Nossa Senhora Conquistadora (RS)

fonte: http://revistarainha.com.br/bicentenario-da-ordenacao-presbiteral-de-sao-vicente-pallotti.html

sábado, 28 de abril de 2018

A criança que eu fui

 
Quem se aproxima da origem se renova” Manoel de Barros

Todos os dias, me pergunto aonde deixei a criança que um dia eu fui? Essa criança que me dava à mão para caminhar quando eu ainda não sabia; que ficava ao meu lado, me transmitindo confiança, quando estava com medo de viver; que escutava as minhas inquietações e respondia-me com sabedoria. Tenho a buscado, mas aonde encontrá-la?
Perdi-me desta criança. Quando foi que isso aconteceu? Provavelmente, quando tive vergonha dela. Eu queria ser grande, autossuficiente, independente. Tolo que fui! Acaso sou Deus, para não depender de nada? Tolo que fui! Meu orgulho e minha soberba me levaram por caminhos que me distanciaram da minha origem. Ah, se eu tivesse dado o devido valor à criança que eu um dia fui, seu tivesse acreditado no pensamento de Kierkegaard que dizia que o homem seria metafisicamente grande se a criança fosse seu mestre”. Agora, saio à procura desta criança.
Busco-a nos prazeres perecíveis. Não a encontro. Encontro outras pessoas como eu, perdidas de si mesma. Busco-a no poder. Não a encontro. Encontro o abismo da finitude. Busco-a fora de mim. Não a encontro. Desespero-me, encontro com um espelho que reflete a minha imagem. Um velho rabugento, com aspecto horripilante, morto-vivo. Fujo. Mas para aonde? Para dentro de mim, há quanto tempo não ia lá!
Que medo! É um lugar estreito e profundo. Que saudade daquela criança. Se ela estivesse aqui me daria à mão e caminharia comigo. Eu me sentiria seguro para caminhar. Mas ela não está. Preciso caminhar, lá fora há um monstro.
O caminho me angustia, tenho que trilhá-lo para sair logo dele. Caminho. O caminho estreita cada vez mais. Bate uma fobia. Aperto o passo. Depois de tanto andar, sinto algo diferente. O medo dá lugar à alegria. Que alegria é essa? A alegria do parto. A alegria do nascimento. Lembro-me que tenho vida, que existo. Vejo uma luz no fim do caminho. Nasci. Encontrei a criança que eu fui. Que lindeza! Encontrei minha origem, renasci, renovei.
Esse nascer me fez despertar de um sono de morte. Aquieto o meu coração. Penso na vida, mas que vida? Essa vida que passa como o sopro? Essa vida que parece um sono da noite, que é despertado pelo amanhecer? Não penso na vida plena, eterna.
Acaso a morte é um fim? Não, a morte não é um fim, mas é uma passagem para a vida plena. É como um parto. No parto, a criança se depara com o mundo. Para a criança aquilo é o infinito, pois ela estava acostumada com o útero de sua mãe e a para ela tudo se reduzia a ele. Agora aparece um novo útero, o mundo. Ela se espanta (tháuma). Ela chora, é o seu primeiro filosofar: - “O que é isto?” (tì estin). Ela se depara com a existência. Ela sofre a paixão (páthos) pelo infinito. Essa paixão será o combustível dos seus dias, até chegar ao verdadeiro Infinito. Mas o que a morte tem haver com isso? Morrer é como o parto. Deixamos o útero deste mundo, nos deparamos com o Infinito, só que diferente do primeiro parto, não choramos mais, pois diante do Infinito não há choro, nem gemidos, mas o sorriso. Não o sorriso físico, mas o sorriso da alma. Completamos-nos e aí somos plenos. Não morremos, entramos na vida.

Irmão Elson Carvalho, SAC

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Visita canônica à Região Mãe da Misericórdia


Geralmente falamos sobre a ‘familia palotina’, ou a fraternidade palotina, ou ainda, e simplesmente... os palotinos. Realmente somos uma família, que se estende por cerca de cinquenta países. E se somarmos as irmãs e os leigos, alguns outros países podem ser listados.
Para formar este senso de comunidade fraterna, entre nós, sacerdotes e irmãos, temos um Conselho Geral sediado em Roma, que organiza e dá diretrizes para todos nós, através de documentos, relatórios e de visitas. Sim, de visitas. 
Se num período de seis anos de governo de um Conselho Geral, pelo menos uma vez, o Reitor Geral pessoalmente ou através um dos seus cinco conselheiros deverá fazer uma visita aos irmãos consagrados, padres e seminaristas.

Assim, para cumprir esta regra e nos ajudar em nossas decisões em vista do futuro, entre os dias 16 a 30 de abril estamos recebendo a visita de dois padres do Conselho Geral, os padres Jozef Lasak e Martin Manus. O primeiro é polonês e o segundo, alemão.
Nesta ocasião os padres visitadores conversarão com cada padre e seminarista, caso fosse necessário. Em grupo se reunirão por Comunidades Locais – Rio de Janeiro, Niterói/Guapimirim/Cachoeiras de Macacu, Itaperuna, Amazônia – aproveitando para suscitar reflexões e decisões.Também em Portugal estamos recebendo esta Visita Canônica e lá, quem nos visita é o Pe. Ernesto Varela, uruguaiano.

Caros amigos e leitores, rezem por nós, para que neste período oportuno sejamos abertos ao que o Senhor nos pede através destes nossos coirmãos superiores. Que o Bom Deus nos faça compreender a Sua Vontade e nos dê a Sua coragem!  

Padre Daniel Luz Rochetti, SAC

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Um dia de espiritualidade e festa

  

No dia 07 de abril, a nossa comunidade formativa fez o retiro mensal no Carmelo de São José, como nosso Pai e Fundador que se retirava para fazer o seu retiro espiritual, nós que temos uma vida ativa, que quase não temos tempo para nos encontrar com o amado de nossa alma no silêncio. Esse retiro foi conduzido pela Madre Superiora do Carmelo, que falou para nós, seminaristas, sobre a pobreza e outros temas. Ela explicou que a pobreza não é só material, mas, também deve ser do nosso intelecto e da própria vontade para que possamos silenciar para encontrar com Deus. Falou ainda da vida de oração e da vida fraterna.


À tarde nos reunimos para uma tarde de estudos, conduzida por nosso coirmão José Luiz. Nesta formação encontramos pontos que tinham ligação com tudo o que a irmã havia falado pela manhã. Percebemos que, como nosso Pai e Fundador, devemos ter projetos para nossa vida. Uma coisa que nos marcou foi que aquele que exerce autoridade tem que ser o primeiro em tudo, tem que ser aquele que nos dará o exemplo (lembrando as palavras da Madre).


E no termino de nosso dia, fomos para a missa de dez anos de sacerdócio do Pe. Gilmar. Lembrando aquela cena de um filme chamado “Até o último homem” recordamos que o personagem principal ensina que devemos amar ao próximo como a nós mesmo; também que o amor cristão deve ser colocado em prática, vivido e não apenas uma metáfora. Assim, nos perguntamos: que se nos importamos com o outro? Ficamos fechados no nosso mundinho querendo tirar proveito de tudo? Que importância o outro têm na minha vida? Ele é apenas um meio para alcançar um fim? Nós devemos ser cristãos autênticos!


Obrigado Pe. Gilmar, pelos seus dez anos de amor e dedicação ao ministério sacerdotal e por ser esse homem que sabe se doar pelo outro mesmo com suas limitações.  



Marcelo da Silva Rodrigues, SAC