quinta-feira, 12 de julho de 2012

Peregrinação das Relíquias de São Vicente Pallotti

Palotinos Rio de Janeiro


A Comissão "Família Palotina em festa" como parte das atividades do Ano Jubilar de  Canonização de São Vicente Pallotti, preparou uma peregrinação das relíquias do Santo por todas as comunidades Palotinas do Brasil.
As relíquias são formadas por um fragmento do osso do dedo da mão, chamada de ex corpore ou relíquia de primeiro grau e a outra é uma estola utilizada pelo santo e conservada pela Provincia São Paulo Apóstolo, chamada de relíquia de segundo grau. O conjunto do relicário é formado por seis peças: o próprio relicário, a caixa de transporte, o suporte para o relicário, os dois bastões que acompanham o suporte e o estojo para os bastões.
A peregrinação teve início no dia 23 de Março de 2012 e depois de percorrer  as Comunidades Palotinas do Brasil, será concluída no dia 26 de janeiro de 2013, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida/SP.


O programa de peregrinação em Região da Mãe da Misericórdia (Rio de Janeiro)


30.08 – 06.09 Seminário - Rio de Janeiro.
07 – 09.09 Postulado (Festival Palotino e encontro dos jovens Consagrar-te-ei ) -
Guapimirim.
10 – 12.09 Paróquia N.Sra. da Imaculada Conceição – Cachoeiras de Macacu RJ.
13 – 16.09 Paróquia de São Sebastião – Volta Grande MG.
17 – 19.09 Paróquia de Santa Ana – Guidoval MG.
20 – 23.09 Paróquia de Santa Rita - Itaperuna RJ.
24 – 27.09 Paróquia de N.Sra. do Rosário de Fátima RJ.
28 – 30.09 Paróquia de São Benedito – Itaperuna RJ.
01 – 04.10 Paróquia de N.Sra. de Fátima – Niterói RJ.
05 – 07.10 Paróquia de São Sebastião – Itaipu RJ.
08 – 10.10 Paróquia de N.Sra. de Fátima – Itaipuaço RJ.
11 – 13.10 Paróquia de N.Sra. dos Navegantes - RJ.
14 – 17.10 Paróquia de Santa Isabel – RJ.
18 – 21.10 Paróquia de São Roque – RJ.
22 – 24.10 Paróquia de Divina Misericórdia – RJ.
25 – 28.10 Comunidade das Irmãs Palotinas – RJ.
29 – 30.10 Seminário e Término da peregrinação

sexta-feira, 6 de julho de 2012

BEATO JÓZEF STANEK SAC

fonte: NOTICIÁRIO UAC (outubro e novembro de 2011)

Queridos irmãos e irmãs da União
Temos o prazer de apresentar neste boletim algumas informações sobre o BEATO JÓZEF STANEK SAC preparada pelo Padre Jan Korycki, SAC, Postulador Geral da Sociedade do Apostolado Católico junto com outras notícias da UAC.


1.            MEMBROS DA UAC PROCLAMADOS BEATOS
O Bem-aventurado Józef (José) STANEK, mártir, padre Palotino, nasceu no dia 04 de Dezembro de 1916 em Łapsze Niżne (Polônia), foi batizado no dia seguinte. Aos seis anos perdeu seus pais. Após ter terminado os estudos no ginásio dos palotinos em Wadowice em 1935 entrou no seminário com eles e no dia 15 de Agosto 1937 fez sua primeira consagração. Ordenado sacerdote no dia 7 de Abril de 1941. Durante a ocupação nazista dedicou-se ao trabalho pastoral e ao mesmo tempo frequentou clandestinamente os cursos universitários de sociologia em Varsóvia. Após explodir a Revolta de Varsóvia (1.08.1944), que visava livrar a cidade dos invasores, tornou-se o capelão dos revolucionários. Com dedicação incomum assumiu a Pastoral e o ministério da caridade para com os necessitados. Não aproveitou da oportunidade oferecida para salvar-se podendo atravessar o rio Wisła em uma barca. Deixou o seu lugar a um ferido e ele permaneceu com os “sitiados” para não privá-los da assistência religiosa. Mesmo tendo consciência que a continuação da revolta não teria sentido, fez todo o possível para salvar o máximo número de pessoas. Por esta razão também procurou falar com os ocupantes. Foi preso por militares nazistas, quando foi ao comando alemão para pedir a rendição dos combatentes; no dia seguinte, 23 de Setembro de 1944, foi enforcado diante dos olhos das pessoas martirizadas  naquele mesmo momento pelos invasores no local da execução. Ele tinha apenas 28 anos. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II juntamente com 107 outros mártires da Igreja da Polônia no dia 13 de Junho de 1999 em Varsóvia.
Ryszard Czugajewski, escritor, um dos maiores promotores da Causa de Beatificação, publicou um livro sobre Padre Stanek, intitulado "Ele amou até ao fim" (Umiłował do końca). Este título pode ser reconhecido como uma síntese da espiritualidade do Beato. Seu zelo pastoral  foi notado em cada serviço sacerdotal durante  apenas três anos em meio a um clima particular da ocupação nazista, de perseguição à Igreja e, por outro lado, o despertar do patriotismo da população de Varsóvia que organizava a resistência de várias maneiras. Numerosas testemunhas observaram que a motivação fundamental para o trabalho de Pe. Josef foi o amor a Deus. Entre outros, Padre Józef Dąbrowski, coirmão Palotino e colega dos tempos dos estudos, declara: “Considerando a vida de Pe. Stanek na perspectiva de hoje, tenho convicção de que ele se sentiu impelido a viver sempre guiado por um amor excepcional a Deus ... preparou a oferta heróica de sua vida em defesa da fé e da nação”.
A situação extremamente difícil em que ele se encontrava após a Revolta de Varsóvia, fizeram ver de modo particular o heroísmo de seu amor pelo próximo, quando como capelão dos revolucionários, sem combater com armas na mão, se sacrificava colocando em perigo a vida para poder dar assistência caritativa e pastoral aos moribundos, aos feridos e a todos os que estavam sofrendo. Seu amor pelo próximo se manifestava de maneira extraordinária em um fato relatado pela Sra. Stanisława Żórawska, testemunha ocular de sua morte. Ela relata como Pe. Stanek não aproveitou da possibilidade, já mencionada, de salvar sua vida "porque ele acreditava que, como sacerdote, ele seria útil tanto para os homens combatentes, como para os revolucionários, como também para as pessoas que sofriam e agonizavam”.

P. Józef Warszawski SJ, também ele capelão, capturado junto com outros revolucionários  disse o seguinte: “Emergia, de fato, das profundezas das ruínas, uma longa fila de pessoas. Vinham ao nosso encontro [...] precedidas pelos uniformes dos alemães, depois dos quais vinha um sacerdote. [...] Finalmente pude distinguir: era um Palotino, Padre Józef Stanek”. Os nazistas “o batiam com os punhos no rosto até chegar  às nossas filas.  Ao realizar isto, gritavam seu “credo” nazista com as palavras: “Estes são os piores! Não os Ingleses! Não os Hebreus! Mas estes com as batinas pretas! Estes são os demônios!!" ... Puxando aqui e ali,  o empuravam em direção próximo às ruínas ... E assim morreu – “in odium fidei et vindictae” (em um ódio à fé e por vingança).
                Uma outra testemunha ocular, a Sra. Halina Darska completa o quadro dizendo: “No dia 23 de Setembro de 1944, antes do meio dia, os revolucionários em Czerniakow que permaneciam vivos, juntamente com a população civil foram recolhidos pelos Alemães entre as ruínas de uma fábrica em Solec. Vi um sacerdote que estava próximo a um muro com a batina, mas sem sapatos, de cabeça descoberta. As pessoas que já estavam lá, informavam que se tratava de um sacerdote “Rudy” (isto é,  Pe. Józef Stanek) ... perto do padre foram levadas duas jovens ... Depois de um breve espaço de tempo o padre e as duas jovens foram levadas entre as ruínas do pavilhão, onde - das vigas de ferro - já penduravam alguns dos revolucionários. Os nazistas começaram a falar com os três, mas nós não conseguimos entender o que eles diziam ... No momento em que reconduziam fora das  ruínas, já colocavam as cordas no pescoço das jovens e do padre e as cordas eram puxadas para cima. O padre levantou visivelmente, talvez uma ou ambas as mãos, como se para cumprimentar, abençoar ou absolver todos os presentes no pavilhão, não em número inferior a 200 pessoas. Esta imagem do padre permaneceu na minha memória”. A senhora Małgorzata Lorentowicz acrescenta: “Padre José estava com os braços elevados, como no gesto de dar a bênção, e seus lábios se moviam, como se rezasse. Ele estava em absoluto silêncio, calmo, em plena resignação à morte”.
                O corpo do mártir, sob as ordens dos militares, ficou por algum tempo na forca com o objetivo de assustar as pessoas obrigadas a passarem na proximidade do lugar.
                De acordo com testemunhas oculares, desde o início da vida Palotina do nosso Beato se poderia ver nele um compromisso a dedicar sua vida inteiramente à glória de Deus. Ele se distinguia por uma grande fé em Deus e a irradiava ao próximo. Esforçava-se em convencer os vizinhos a confiar tudo à Providência divina e, se fosse necessário, aceitar com dignidade até mesmo a morte, acreditando que essa não seria inútil, mas que serviria como mensagem para os outros.

                O grande número de pessoas que tinha conhecido Padre Stanek e aquelas que assistiram a execução, sempre interpretaram a sua morte como martírio pela fé e pelo seu país. Todas as testemunhas chamadas em causa confirmaram esta convicção. Também são atribuídos à sua intercessão diversas graças obtidas de Deus. Sua memória litúrgica é comemorada no dia 12 de Junho, juntamente com o Beato José Jankowski. 

Festival Palotino da Canção & Consagra-te-ei!

Divulguem ...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

BEATO JÓZEF JANKOWSKI SAC

fonte: NOTICIÁRIO UAC (outubro e novembro de 2011)
 
MEMBROS DA UAC PROCLAMADOS BEATOS

Depois de ter  informado os leitores do Noticiário da UAC sobre as Causas de Beatificação da Família Palotina (Notícias da UAC desde Março de 2010 até Setembro de 2011), agora queria lembrar as figuras de dois seguidores de São Vicente Pallotti que foram proclamados beatos: Józef Jankowski e Józef Stanek.
     
JANKOWSKI, Józef (José) beato mártir, padre Palotino, nasceu no dia 17 de Novembro de 1910 em Czyczkowy na Pomerânia (Polônia), foi batizado dia 20 de Novembro de 1910. No ano letivo de 1924/1925 iniciou a freqüentar o ginásio dos Palotinos em Suchary e em 1929 entrou na Sociedade do Apostolado Católico. Em 5 de Agosto de l931 fez sua primeira consagração palotina em Wadowice. Ordenado sacerdote dia 2 de Agosto de l936, dedicou-se ao trabalho pastoral; foi catequista em duas escolas. 

No início da Segunda Guerra Mundial deu uma grande ajuda espiritual e material para muitas pessoas (civis) e curou os soldados feridos. Em 31 de Março de 1941 foi eleito mestre de noviços. Preso pela Gestapo no dia 16 de Maio de 1941, foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz onde, no dia 16 de Outubro de 1941, foi morto cruelmente por guardas do campo. Ele foi beatificado pelo Papa João Paulo II, juntamente com outros 107 mártires da Igreja da Polônia, no dia 13 de Junho de 1999 em Varsóvia.
               
 A documentação  anexada ao Processo de Beatificação nos apresenta a pessoa de José como um sacerdote que, com uma perseverança e coerência extraordinárias realizou o seu programa de  santidade a exemplo de São Vicente Pallotti. O seu caminho espiritual pode ser caracterizado pelas mesmas palavras que ele escreveu em uma carta dirigida a seu irmão um ano antes da ordenação sacerdotal: "Meu ideal, naturalmente, deve abraçar Deus, o próximo e a mim mesmo ... e disto, o motivo principal é o amor de Deus ... Desejo amar Deus mais do que a minha vida“.

Na realização deste ideal, um valor especial para ele, era  o culto Eucarístico e a confiança filial à Mãe de Deus. No seu ato de consagração à Virgem Maria, lemos: “Maria, Virgem Santíssima, Rainha dos Apóstolos, minha Mãe amantíssima, desejo amar-te ... Tu és Mãe do Divino Amor. Preencha o meu coração do amor de Deus. Preencha-me do Espírito Santo, como preencheste  o nosso Pai e Fundador ... Espero que me confiarás muitas, muitas almas. Minha vida seja destruída  para que governe no mundo o Teu Reino, para que domine no mundo o Reino de Cristo, Teu diletíssimo Filho”. A sua fé e a riqueza de sua personalidade encontrava expressão em seu ministério pastoral, que pode desenvolver no decorrer de apenas cinco anos. As testemunhas por unanimidade colocam em evidência o seu grande zelo pastoral inspirado no amor a Deus e ao próximo, a sua religiosidade, o seu trabalho, sua responsabilidade, prudência, justiça mas, sobretudo a sensibilidade para com os mais necessitados do povo, que o levava até mesmo a gestos heróicos.

Durante sua permanência de cinco meses no campo de extermínio de Auschwitz, um lugar de máxima penalidade de trabalho, de fome e de humilhação, Padre José sofreu muitas mortificações e torturas físicas, morais e espirituais. No dia 16 de Outubro de 1941, foi torturado pelo chefe (guarda da prisão) Krott e, em seguida pela causa dos maus-tratos recebidos, morreu na enfermaria. Tinha apenas 31 anos de idade. Uma testemunha ocular, Padre  Konrad Szwed, relata: “Meio morto pelo sanguinário Krott, foi baixado no hospital do campo. No dia seguinte fui visitá-lo, mas ele já estava morto, não sei se logo após os espancamentos ou uma injeção letal praticada regularmente em Auschwitz”

Pe.  José, vivendo sua vida consagrada Palotina de modo radical, deu prova contínua de total doação da sua vida “por amor a Deus”. Segundo o que as testemunhas disseram, ele declarou, e não apenas uma vez, de estar pronto para dar a vida pela fé. Não é,  portanto, nenhuma surpresa que, encontrando-se diante do perigo de vida, levava assistência pastoral e sanitária aos feridos e aos moribundos. Durante o interrogatório tomou sobre si toda a responsabilidade, mesmo que não tivesse nenhuma culpa, nem ele nem os outros prisioneiros. Sacrificando-se, queria tirar os coirmãos das conseqüências da prisão. Com base nas testemunhas pode-se constatar que a sua disponibilidade ao sacrifício pelo próximo, atestado pelas obras, pelo sofrimento, pelo tempo na prisão e no campo de extermínio e da morte, é mais do que uma virtude, é um heroísmo, caridade heróica que segue os passos da
caridade de Cristo, porque “não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos” (João 15,13).

A fama do martírio do padre Jankowski, surgida após sua morte, tornou-se sempre mais forte, seja entre os palotinos como também entre os ex-prisioneiros do campo de Auschwitz e em grande parte entre os fiéis que, olhando para o seu caritativo ministério pastoral o estimavam um santo. Expressão de tal fama são os muitos relatos escritos por testemunhas oculares, as celebrações dos aniversários de sua morte, as numerosas publicações sobre ele, e finalmente a própria beatificação que ocorreu no dia 13 de Junho de 1999 em Varsóvia. Também são atribuídos à sua intercessão diversas graças obtidas de Deus.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

São Vicente Pallotti

Na origem da UAC, uma Associação Missionária - Pe. Francisco Todisco

Na origem da União do Apostolado Católico, uma Associação Missionária

 Pe. Francisco Todisco, “La missionarietà in San Vincenzo Pallotti”, palestra proferida no Encontro anual de Formação para Missionários e Missionárias Palotinos, em Roma – Itália, em Maio de 2009.
(Tradução livre do original em italiano)  

Padre Vicente Pallotti deixou duas histórias diferentes sobre a origem da União. A primeira, nós a poderíamos chamá-la como versão externa, oficial e, em certo senso, jurídica, pois se limita a uma sucessão de eventos; já a segunda, poderíamos chamá-la como versão espiritual, ou até mesmo, carismática. Ambas têm elementos comuns, mas entre elas, existem mudanças de interpretação e de sucessão de datas, ou seja, muda-se o tempo dos eventos da fundação. 
1. A Primeira História
A primeira versão dos fatos que registram a fundação é aquela seguida por quase todos os biógrafos:
- no dia 9 de janeiro de 1835, depois da celebração da Santa Missa, durante o Oitavário da Epifania, Pe. Vicente recebe a inspiração da União do Apostolado Católico, mas a mantêm em segredo;
- alguns seus colaboradores, naquele mesmo mês, decidem estampar o livro Máximas Eternas, de Santo Afonso Maria de Ligório, em língua árabe, para enviar ao oriente; para isso, consultam a gráfica da Propaganda Fide sobre o custo;
- Giacomo Salvati recolhe inesperadamente uma soma relevante (cerca de 400 escudos); e tudo isto teria acontecido antes do fim de março de 1835;
- os colaboradores sugeriram criar um grupo responsável para a gestão das esmolas recolhidas;
- Pe. Vicente, então, institui a União do Apostolado Católico, segundo a inspiração de 09 de janeiro de 1835;
- portanto, se seguem as aprovações, primeiro aquelas diocesanas de 04 de abril e de 29 de maio de 1835 e depois, aquela pontifícia, datada no dia 11 de julho de 1835.
Nesta versão histórica tudo, ou quase tudo, teria acontecido depois daquela celebre iluminação palotina do dia 09 de janeiro de 1835.
2. A Segunda História
A segunda história, aquela mais espiritual e carismática, está registrada em um texto de setembro de 1840, conhecido pelo título “Na minha morte”, posterior de quase seis anos daqueles fatos iniciais e que ficou desconhecido por muito tempo. Neste texto, Pe. Vicente declara aos seus coirmãos que o inicio da União do Apostolado Católico estaria lá pelo ano 1834: “Nosso Senhor Jesus Cristo se dignou fazer-me pertencer à Sociedade do Apostolado Católico desde seu início... No ano 1834, privadamente, no início, junto com alguns poucos: assim, em 1835 foi aprovada com um primeiro documento do Eminentíssimo Senhor Cardeal Vigário”. A União, que neste texto sucessivo à aprovação e à supressão da parte do Santo Padre, ele chama de Sociedade do Apostolado Católico, teria existido primeiro como grupo privado já em 1834 e aprovada somente em 1835. E se assim fosse, a coleta de Salvati e as conversas sobre a conveniência em criar um grupo responsável pelas esmolas e a gestão dos fundos para ajudar as missões teria acontecido em 1834. No dia 09 de janeiro de 1835 teria acontecido a inspiração divina para iluminar e mover Pe. Vicente a fundar uma associação de Apostolado Católico, ou seja, universal. Ele assim o fez, estendendo o objetivo da inspiração, pouco a pouco, em sucessivos textos, à associação missionária apenas fundada que, por sua vez, foi acolhendo tais comunicações.
Nesta segunda história, a sucessão de eventos seria a seguinte:
- alguns colaboradores de Pe. Vicente, em 1834, se propõem ajudar as missões com a estampa das Máximas Eternas em árabe, para enviar aos países do oriente; eles consultam a tipografia de Propaganda Fide sobre o custo e Salvati faz uma coleta;
- acha-se conveniente criar oficialmente um grupo responsável pelas ofertas recolhidas para as missões;
- em 09 de janeiro de 1835 acontece aquela inspiração divina, quando então, Pe. Vicente funda uma associação de Apostolado Católico Universal;
- acontece uma comunicação do fato espiritual, e uma sucessiva aceitação da parte do grupo;
- acontecem as aprovações, primeiramente aquelas diocesanas de 04 de abril e de 29 de maio de 1835, e aquela outra, pontifícia, em 11 de julho do mesmo ano.
As diferenças fundamentais entre a primeira e a segunda história são as datas (o tempo cronológico) e o papel da inspiração. Naquela primeira história a inspiração precede e é a raiz de toda a fundação; na segunda, a inspiração é o que qualifica, dando forma eclesial à uma realidade humana pré-existente. Hoje se é propenso em considerar mais provável aquela segunda cronologia, não somente porque o próprio Pe. Vicente nos informou, mas também porque deixa um maior tempo e espaço para as ideias, para as propostas e para a realização das mesmas; e ao contrário, naquela primeira cronologia os eventos parecem suceder-se muito rapidamente.
A nova associação, provavelmente sem um nome ao início, decidiu recolher esmolas não somente para as missões mas também para ajudar na formação de futuros missionários entre não-cristãos, os heréticos e os cismáticos. Tal escopo coincidia, neste primeiro momento, com as várias iniciativas pró-missões que floresciam em toda a Europa, como a Obra de Propagação da Fé de Lião, ou aquela de Paris e ainda aquela outra, a Missionsvereine, nascida em países de língua tedesca. Também, muito provavelmente esta primeira intenção de trabalhos pró-missão do grupo nascente tenha acontecido sob a influência de conversas com Alkusci ou deste e Rafael Mélia juntos. Em definitivo, o objetivo da nova associação, se ao início era em favor da Igreja Caldeia, agora tal escopo se abria a horizontes mais amplos; mas sempre em vista as missões. Assim, um primeiro passo foi o projeto de estampar as Máximas Eternas em árabe e enviar tal edição ao Oriente Médio. A tipografia de Propaganda Fide foi consultada sobre o custo, Salvati recolheu os 400 escudos e, para evitar qualquer suspeito, o grupo não deixou sob a administração de um só, mas se constituiu oficialmente.
No entanto, no dia 09 de janeiro de 1835 Pe. Vicente recebeu aquela inspiração, mantendo-a em segredo, esperando um sinal de Deus para que a revelasse e a concretizasse. É muito provável que no final de março daquele ano Pallotti partilhou com o novo grupo que, por sua vez, acolheu a nova proposta convertendo-se de um grupo que recolhe esmolas para as missões e para os seminários missionários em União do Apostolado Católico. Nesta segunda hipótese, a ideia de Pe. Vicente não teria sido atribuída somente a si, mas a todo o grupo: assim, não seria somente um ato de humildade de Pallotti, o não reconhecer-se o único fundador da obra, mas seria mesmo uma verdade histórica.
Enfim, a origem exclusivamente missionária da União influenciou o desenvolvimento inicial do grupo, depois Pallotti, passo depois de passo, foi estendendo o campo de ação à toda a Igreja. Em ambas as cronologias é bem claro que o início da União do Apostolado Católico foi a missão, foi a missionariedade: propagar a fé católica e consagrar-se também em reavivá-la e a reascender a caridade entre os católicos.

Texto da Inspiração /   09 de janeiro de 1835
“Deus meu misericórdia minha, Vós em vossa Infinita misericórdia me concedeu, em modo particular, promover, estabelecer, propagar, aperfeiçoar, perpetuar, ao menos com o mais vivo desejo de vosso SS. Coração 1. uma pia instituição de Apostolado Universal em todos os Católicos para propagar a Fé e a Religião de J. C. entre todos os Infiéis, não Católicos. 2. de Apostolado oculto para reavivar, conservar, e acrescentar a Fé entre os Católicos. 3. uma instituição de Caridade universal no exercício de todas as Obras de Misericórdia espirituais, e corporais, para que Vós sejais conhecido no homem; já que Vós sois Caridade infinita. Confesso, porém, agora e sempre, diante de Vós, meu Deus, e de toda a Corte Celeste, e a todas as Criaturas passadas, presentes, e futuras, que se até hoje ainda não se promoveu uma tal multíplice Instituição, esta não foi possível por minha culpa, pois não me terias negado as graças, se as pedisse. Hoje, mesmo indisposto e sempre mais indisposto, e indigno espero; ou melhor, estou certo de que chegou o momento de um distinto Triunfo da vossa Misericórdia sobre a minha indisposição, e indignidade. Deus Deus Deus – Misericórdia, Misericórdia – Graças!”                                           
     OOCC X, 196-197.